Qual o significado de umbral? Será que vamos para lá?

Você já ouviu falar sobre o umbral? O termo pode soar sombrio e misterioso, especialmente para quem se interessa por espiritualidade. Mas, afinal, o que ele significa? E a grande pergunta todo mundo tem curiosidade: será que todos nós, ao desencarnarmos, vamos para o umbral? Nesse post, vou falar um pouco sobre significado do umbral (baseado em livros) e como ele está relacionado com a nossa evolução, além de reflexões sobre as condições que nos levam a essa região espiritual.

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Ilustração em aquarela de uma floresta sombria com espíritos sofredores, para representar o significado de umbral. Será que vamos para lá?
Imagem: Leonardo AI

O que é o umbral?

Você já deve ter escutado falar de umbral e ele ser relacionado a algo extremamente ruim, ou ser outro nome dado a inferno? Saiba que não é necessariamente assim. 

umbral é um local intermediário entre o nosso planoo da matéria, e as colônias espirituais ou planos mais elevados. 

O nome umbral, no latim significa "sombra", mas ela entrou no espanhol como "umbral", referindo-se originalmente à soleira da porta, ou seja, a parte inferior de entrada de uma casa. Esse sentido metafórico de "limiar" ou "fronteira" entre dois espaços acabou sendo associado a transições, como a passagem entre a vida e morte. 

Ele seria uma espécie de limbo no astral, mas limbo no sentido de indefinição e não no sentido católico. Pois nessa região o que determina são as vibrações do espírito, seja ele encarnado ou não. 

É... Devido à densidade tanto da matéria corpo físico, quando do local, você pode acessá-lo através de projeção astral, também chamado de desdobramento, enquanto seu corpo dorme. 
Se você quiser saber mais, veja esse post que fala sobre se a projeção astral é perigosa!

O umbral existe como uma consequência natural das leis espirituais.
Quando um espírito desencarna, ele não se torna automaticamente mais evoluído ou iluminado. Ele leva consigo seus medos, culpas, vícios e sentimentos negativos acumulados durante a vida.
Então, serve como uma espécie de zona de depuração, onde os espíritos enfrentam essas questões antes de seguirem adiante em sua jornada evolutiva.

Para que ele serve?

O propósito do umbral pode ser entendido por três fatores principais:

1. Reflexão e tomada de consciência

os espíritos são confrontados com seus próprios estados internos. Sem distrações do mundo material, são forçados a encarar suas escolhas, arrependimentos, medos e padrões mentais

Você já assistiu o filme Amor além da vida, de 1998? Seria mais ou menos como na cena em que Chris (Robbin Williams) entra no que representaria sua antiga casa, enquanto encarnado, e encontra Annie "presa" em seus próprios pensamentos acreditando ser aquela a realidade. Nessa cena percebemos como Annie cria a sua própria realidade, tornando-a palpável. 

E comparando-a a fisicalidade, situação similar poderia acontecer enquanto encarnados, quando nos recusamos a enfrentar alguns fatos e vivendo em uma espécie de alucinação — inclusive, situação em que poderia ser considerada algum traço de problema psicológico. 
 
E se você não assistiu esse filme incrível, veja ele na Apple+ ou no Prime

2. Filtragem e Sintonização vibracional

Podemos dizer que o umbral funcionaria como um filtro energético natural. Espíritos que ainda carregam densidades vibracionais mais baixas não conseguem acessar planos superiores sem antes se reajustarem.
 
Aqueles que já cultivam o bem, mesmo com falhas, podem ser socorridos mais rapidamente ou seguir para regiões mais amenas automaticamente.

Nesse momento você pode estar se perguntando, e os que não tem crenças ou que acreditam simplesmente ao morrer acaba tudo?

Quando não se pratica o bem e se desacredita na continuidade da existência, muitos espíritos, ao desencarnarem, não chegam a despertar no plano espiritual. É como se permanecessem presos em seus próprios caixões — metaforicamente falando — sem sonhos, sem percepções, mergulhados em um estado de inconsciência que pode durar muito tempo. Alguns são resgatados por socorristas e levados a postos de atendimento, mas mesmo assim, demoram a despertar e a compreender sua nova realidade.
— Note que não é pelo fato de não acreditar, mas sim por não se fazer útil no bem. (Fonte: Os Mensageiros - psicografado por Chico Xavier)

E existem vários tipos de regiões por lá, cada qual com suas características peculiares que são moldadas pelos pensamentos e sentimentos dos que habitam esses locais

3.Preparação para a Reencarnação ou Resgate Espiritual

Muitos espíritos passam muito tempo no umbral antes de serem resgatados por equipes espirituais e encaminhados a colônias de aprendizado ou até mesmo à reencarnação indireta, ou direta (também chamada de reencarnação compulsória). 
Esse tempo pode variar conforme o nível de arrependimento, aprendizado e vibração alcançada.

Ilustração de um local "neutro" com névoa e vários espíritos sofredores vagando e aguardando serem resgatados. Imagem para representar o significado do umbral.
Imagem: Leonardo AI

Entendendo melhor através dos livros

Talvez o nome umbral tenha ficado mais conhecido pelo espírito de André Luiz, no livro Nosso lar psicografado pelo Chico Xavier, que você pode encontrar aqui para lerE que também tem a versão adaptada em filme, você pode assistir ele na Disney+ e no Prime Video

O umbral é descrito no livro Nosso Lar como uma região que começa na crosta terrestre:

Imagine que cada um de nós, renascendo no planeta, somos portadores de um fato sujo, para lavar no tanque da vida humana. Essa roupa imunda é o corpo causal, tecido por nossas mãos, nas experiências anteriores. Compartilhando, de novo, as bênçãos da oportunidade terrestre, esquecemos, porém, o objetivo essencial, e, ao invés de nos purificarmos pelo esforço da lavagem, manchamo-nos ainda mais, contraindo novos laços e encarcerando-nos a nós mesmos em verdadeira escravidão. Ora, se ao voltarmos ao mundo procurávamos um meio de fugir à sujidade, pelo desacordo de nossa situação com o meio elevado, como regressar a esse mesmo ambiente luminoso, em piores condições? O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.
Nosso Lar, Capítulo 12

Também temos uma alusão ao umbral no livro psicografado por Yvone do Amaral Pereira, Memórias de um Suicidaveja o livroE também há uma rádio novela ótima, você pode escutar ela nesse link
Nele é descrito o visual do que seria uma parte do umbral, em que se encontram os que ceifam suas próprias vidas, o vale dos suicidas. 

No livro O Guardião da Meia-Noite, de Rubens Saraceni, confira o livro aqui, aborda uma vertente mais espiritualista e a umbanda. Num ponto de vista diferenciado, o Guardião descreve o umbral assim

Nas Trevas só há dois modos de vida: ou você serve ou é servido. Melhor viver assim do que viver no meio termo. 
— O que quer dizer com isto? 
— O umbral, ou purgatório, é um lugar onde não impera lei alguma. Foi ali que eu fiquei por muitos anos até sair da cova. Eu estava no umbral. Aquilo é o nada. Você não tem noção de tempo ou espaço, nada existe além do tormento do espírito. Como eu era um grande devedor da Lei Maior, não havia retorno: ou descia mais um pouco ou enlouquecia. O umbral é isto, meu amigo, o esquecimento pela Lei. Eu vi espíritos vagando por lá durante séculos. Perdem toda fé e esperança. Ali não vai ninguém para socorrê-los. Cada um tem que achar sua própria saída. Não lhe lançam uma escada para se elevar. Você tem que construir sua própria escada. O que existem são alguns agrupamentos de espíritos socorristas muito fechados. Eu mesmo conheço muitos destes locais. 
— Não saem em busca das almas ou espíritos que vagam sem rumo?
— Quem lhe falou isso?
— Eu li em um livro. 
— Conversa fiada para iludir incautos. O que falaram ou descreveram não foi um umbral ou purgatório, como nós, os guardiões conhecemos muito bem, mas sim as camadas de atrações de almas pouco devedoras. Esta é uma região onde andam livres todos os tipos de espíritos. Nesta faixa vibratória que chamam de umbral ou purgatório, o espírito pode ir onde quiser que ninguém o incomoda, ou seja, pode se agregar com quem quiser.
Porém, o acesso ao verdadeiro umbral somente a Lei determina. Para lá você não vai. Aquilo é uma continuação do modo de viver, pensar e agir de quando ainda se estava na carne. Você não percebe que está lá. Ainda pensa que esta vivo e não compreende nada do que realmente lhe aconteceu. A zona de atração ou camada ‘sobre’ e não ‘sob’ a crosta terrestre é o que descrevem como umbral ou purgatório. No verdadeiro umbral apenas os guardiões penetram, tantos os da Luz como os das Trevas e assim mesmo com certa cautela, pois lá não impera lei alguma. Esta região pertence àqueles que não pertencem nem aos céus nem aos infernos. Ali nem o das Trevas entram, pois não tem direito sobre quem lá esta.
O Guardião da Meia-Noite

Através desse trecho, é possível compreender que o Guardião da Meia-Noite descreve os locais diferentes no umbral, e em todos os livros (que fiz referencia) são mencionados esses locais, vou abordar um pouco um a um... 

No livro Nosso Lar, o umbral é descrito como uma região de sofrimento e purgação, mas ainda há socorro por parte de espíritos benevolentes, nessa camada há postos de atendimento. Isso se encaixa mais com o que o guardião chama de "falso umbral" — ou seja, a camada sobre a crosta terrestre, onde espíritos em desequilíbrio permanecem, mas ainda podem ser resgatados. Mas ainda assim fazendo parte do umbral em si. 

Já no livro Memórias de um Suicida, o Vale dos Suicidas é descrito como um lugar de extrema dor, isolamento e desespero, onde os espíritos que cometeram suicídio permanecem por longos períodos, presos em seus tormentos e ilusões. 
Neste caso específico, sabe-se que o espírito permanece nesse local pelo tempo correspondente aos anos que ainda teria de viver encarnado. 

Essa descrição se aproxima mais do que o guardião chama de "verdadeiro umbral", onde os espíritos não recebem ajuda e precisam, por mérito próprio, encontrar uma saída. Aonde se vai pela ação da Lei Maior.

E o que seria a Lei Maior? A Lei de Deus, a lei da natureza. Relação com a lei de causa e efeito, por exemplo. Onde tudo tem de ter seu equilíbrio. 

Se seguirmos essa linha de raciocínio, poderíamos dizer que:

  • umbral de Nosso Lar seria a camada sobre a crosta terrestre, onde há sofrimento, mas também resgates, sendo descrita como zona de atração. Onde os espíritos vão, evidentemente, por causa da sintonia. São os espíritos que não estão tão em dívida com as leis karmicas, por assim dizer.
  • Vale dos Suicidas de Memórias de um Suicida poderia ser um exemplo do umbral verdadeiro, um lugar de extrema dor onde o espírito está sujeito à Lei Maior sem intervenção direta. Sendo possível sair somente pela própria fé para o amparo divino. 
    Acho incrível as conexões em diferentes estudos do espiritual. Ao longo do tempo lendo sobre espiritualidade, percebi como todas as tradições se interligam, cada uma desempenhando seu papel dentro de uma mesma essência para o bem maior. 

    Se você ficou curioso sobre os livros que mencionei, são esses:
    Vale muito a pena dar uma olhada neles!

    Imagem do livro Nosso lar Psicografado por Chico Xavier

    Nosso lar, psicografado por Chico Xavier, pelo espírito André Luiz.

    Narrativa de André Luiz após o seu desencarne até a colônia espiritual Nosso Lar.






    Imagem do livro O Guardião da Meia-Noite, escrito por Rubens Saraceni

    Narrativa do espírito Guardião da Meia-Noite até se tornar um guardião das trevas a serviço da luz.




    Conclusão

    O umbral não é apenas uma região transitória de aprendizado, mas também um reflexo das consequências das escolhas que fazemos em vida.

    Para muitos, ele pode representar um período de solidão, confusão e sofrimento, onde o espírito se vê confrontado com seus próprios erros e desequilíbrios. Não é uma punição imposta, mas sim o resultado natural das vibrações que cultivamos pela Lei maior.

    Evitar essa experiência não é questão de medo, mas de consciência: cada atitude, pensamento e intenção que carregamos molda nosso estado espiritual. 
    O que você está construindo para si mesmo? Que tipo de energia está alimentando agora? 
    A transformação começa no presente, e cada passo em direção à responsabilidade, ao autoconhecimento e ao bem genuíno que nos afasta da necessidade de passar por esses caminhos mais densos. E que tenhamos consciência para evitarmos passar por lá... Ou se passarmos, que seja por pouco tempo...
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